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terça-feira, 17 de julho de 2012

Quebrando o tabu: a erva proibida

Discute-se desde 2009 um projeto de lei que pretende reformar a Lei Antidrogas, do deputado Paulo Ferreira (PT). A legalização da maconha sempre gerou polêmica e discussões. Atualmente, o usuário que é pego com pequena quantidade de droga não pode ser preso, mas terá a sua ficha suja. Porém, a lei não define a quantidade de droga que diferencia usuário ou traficante

Entre religiosos, cientistas, políticos e usuários, a legalização da maconha é um assunto que divide opiniões. O principal argumento de quem é contra a sua liberação é de que a maconha abre caminho para outras drogas mais pesadas e pode aumentar o consumo atual. Já o principal argumento dos defensores da liberação é o lucro, a receita que as diferentes maneiras de comercialização da maconha poderiam gerar para o país. E que a droga causa menos danos para a saúde do que outras substâncias lícitas, como o tabaco e o álcool.

Somos obrigados a admitir que seria uma ótima maneira de gerar receita para o país, atraindo investidores, gerando empregos e principalmente, arrecadando impostos. Partindo do ponto de vista de que o Brasil tem milhões de usuários da maconha e que a maioria dessas pessoas não deixa de consumir por ser ilícito, a legalização possibilitaria que o consumidor comprasse a maconha em um estabelecimento de acordo com a lei em vez de procurar por traficantes e dessa maneira sim, ficar exposto a outras drogas. Terminando assim esse elo entre traficante e consumidor de maconha.

Além de abrir espaço para outros artigos tradicionais entre os usuários, que hoje são comercializados de maneira clandestina, por serem considerados apologistas. Artigos como roupas, bandeiras e até produtos alimentícios, fabricados legalmente em outros países (doces, bolos, refrigerantes, bebidas alcoólicas etc). É uma matéria prima cheia de possibilidades terapêuticas.

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Uso medicinal da maconha
 
A cannabis é considerada a droga menos tóxica e provoca menos dependência que o álcool e o tabaco, também não existe nenhum registro de alguém que tenha morrido por overdose, nem indícios de que a droga cause danos cerebrais permanentes. Em virtude da proibição da droga os estudos e pesquisas científicas são bastante limitadas, inviabilizando assim o desenvolvimento de remédios à base da droga e a liberação abriria caminhos para seus fins medicinais.

Duvida-se que a legalização consiga acabar com o tráfico de drogas, afinal provavelmente o preço da maconha comercializada legalmente pode ser muito mais alto devido a carga tributária imposta pelos governos. E no caso de drogas lícitas como o álcool e o tabaco, que possuem baixos preços de mercado devido a isenção de impostos. Obviamente não existe nenhuma droga que não cause danos, mas de todas as drogas psicoativas usadas a maconha é a mais segura.

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Manifestantes pedem a descriminalização da maconha. Recife, 2011
 
O promotor de justiça Sérgio Luiz Rodrigues afirma: “Não há como legislar sobre essa sensível matéria apenas levando em conta o contestável “direito individual” de usar ou não usar o entorpecente, já que o exercício desse “direito” interfere direta e negativamente na vida de todos e, por decorrência, aumentando o custo do próprio Estado. Seria saudável sob o ponto de vista social e político que essa matéria fosse apreciada de forma ponderada e responsável, precedida de sério estudo global e realístico, pois trata-se de assunto que interfere diretamente na qualidade de saúde, de vida e de segurança de toda a sociedade. Se para a aprovação dessa absurda liberalidade prevalecer apenas o direito do usuário, então estará consagrada a ditadura do direito individual sobre os direitos e interesses coletivos fundamentais, também assegurados constitucionalmente, tão necessários para uma vida familiar e social com segurança, justiça e paz”.

G.F., estudante de odontologia na Univali e usuário de maconha, garante que: “Se fosse legal não haveria injeção de dinheiro no tráfico de drogas, que leva a muitos outros problemas, aumentando a criminalidade e fortalecendo o contrabando ilegal de armas de fogo por exemplo, poderíamos plantar em casa ou comprar em um estabelecimento regularizado”.

O documentário “Quebrando o tabu”, dirigido por Fernando Grostein Andrade, conta com depoimentos de Fernando Henrique Cardoso, Bill Clinton, Jimmy Carter, Drauzio Varella, Paulo Coelho, entre outras personalidades nacionais e internacionais, que falam sobre o tema.


E você, é contra ou a favor?

sábado, 14 de julho de 2012

Caio Fernando Abreu é uma febre

Quase duas décadas após sua morte, Caio Fernando Abreu ressurge com força total e é um dos mais citados nas redes sociais. Como esta popularidade pode estar relacionada à sua obra? E como ele reagiria a este fenômeno?

Eduardo Bueno escreveu: “Jack Kerouac morreu alcoólatra, barrigudo, reacionário e odiando cada cabeludo americano”. Mas o que isso tem a ver com Caio Fernando Abreu? Talvez nada. Talvez muito. Já não temos como saber. O que permite a relação entre o destino destes dois autores é a forma como suas obras acabaram tomando proporções que eles jamais imaginariam. Kerouac viu o nascimento de uma nova cultura a partir de sua obra máxima. On The Road é repetidamente citado como a bíblia hippie, Kerouac escreveu o manifesto de um movimento que, ao final de sua vida, admitiu detestar. Caio Fernando Abreu não está aqui para ver o que foi feito de sua obra, e talvez isso lhe seja até saudável.

“Caio Fernando Abreu foi um jornalista, dramaturgo, escritor e fenômeno da cultura pop brasileira”. Se a Wikipédia existir no ano de 2050, esta frase deverá abrir o verbete sobre Caio Fernando Abreu. Não seria exagero. Antes da popularização das redes sociais, Caio Fernando Abreu era lembrado em “segundos cadernos” e especiais de TV em datas importantes da vida do autor. Hoje é uma febre. Caio é o guru das relações contemporâneas. É o guia de uma gama surpreendente de tipos de personalidade. Caio motiva desde adolescentes na puberdade até cinquentonas com crises no casamento. Hoje um conflito existencial latente aponta para um perfil no Facebook com frases entre aspas rubricadas com a sigla CFA. E se quiser postar uma frasezinha do autor, não precisa nem procurar muito, dá pra seguir uma das inúmeras fanpages que postam frases do autor diariamente, e compartilhar as mais "pertinentes" Dois exemplos são Caio Fernando Abreu - Frases ou os Conselhos de Caio Fernando Abreu.

Mas que motivos Caio teria para não estar orgulhoso por toda essa legião de seguidores que adotou suas frases para encarar com mais disposição os problemas da vida? Infelizmente, o escritor nos deixou em 1996, aos 48 anos vítima de uma pneumonia aguda decorrente do vírus do HIV. Nem por isso vamos deixar de especular sobre a possível reação do autor à sua estrondosa popularidade póstuma. 

Não há nada de anormal em fazer referências a autores que gostamos nas redes sociais. As pessoas encontraram na rede um canal para expressarem seu repertório cultural e sua personalidade. Porém, alguns autores como Caio Fernando Abreu, Clarisse Lispector e Martha Medeiros, passaram pipocar vertiginosamente nos tweets e timelines Brasil à fora. A verdade é que neste hábito de compartilhar trechos de obras famosas entre os amigos, as pessoas entram em contato com a literatura de uma forma fácil. É comum ver pessoas dizendo que gostam destes autores sendo que só tiveram contato com estes fragmentos compartilhados pela rede.

O ponto que gera o estranhamento nessa situação está relacionado ao teor real da obra de Caio F. Abreu. Há um problema em consumir a literatura de forma tão fragmentada. É muito cômodo consumir os trechos mais doces do profundo existencialismo de Caio Fernando Abreu quando se procura ânimo para levantar no dia seguinte. As pessoas esquecem (e desconhecem) que uma enorme parte da obra do autor é recheada de sombras, pessimismo e personagens marginais. Os morangos de Caio estão mofados, o recurso estético está ali para mostrar o que há de podre e desesperançoso no imaginário de uma geração que perde seus ideais.
Por outro lado, a própria obra de Caio Fernando Abreu fala sobre o problema fragmentação. O autor é referido como “fotógrafo da fragmentação contemporânea”. Caio entende sobre miudezas cotidianas e fluxos de pensamento, como se colocasse de forma lírica e poética os duros conceitos acadêmicos sobre formações de identidade fragmentada nessa era de modernidade líquida. 

Não é possível afirmar se a reação de Caio a esta popularidade. A questão de estar sendo lido aos pedaços certamente representa um aspecto negativo, do ponto de vista da literatura. Mas que ótimo ver que um autor do talento de Caio Fernando Abreu esteja fazendo um sucesso tão grande. A fragmentação é um elemento presente na obra de Caio, ele entendia, também, disso. No fim das contas, o mais provável é que esta meteórica popularidade fragmentada não causasse grande surpresa a Caio F. Abreu, que conseguiu, como poucos, entender o homem com razão e paixão simultânea e inseparávelmente.

terça-feira, 10 de julho de 2012

Na onda de Prison Break


Se você leu o livro Carandiru, sucesso nacional na década passada, e acha que conhece o sistema carcerário, é porque não viu Prison Break


Prison Break não é mais um filme ou série que se passa numa prisão americana. É uma genial, intrigante e envolvente série que se passa numa prisão americana. Com diálogos afinadíssimos e uma trama recheada de suspense e tensão, o seriado demonstra que o mundo dentro de uma prisão é bem mais complexo do que todos imaginam. Prison Break tem semelhanças com alguns filmes sobre o tema, combinando a esperança de "Um Sonho de Liberdade", a camaradagem de "Golpe Baixo" e a tensão de "Fugindo do Inferno", mas sem dúvida, vai muito além disso. As tramas que vão sendo criadas entre os personagens são espetaculares, criando uma rede de intrigas e traições poucas vezes vistas na televisão.

O elenco é escolhido a dedo onde todos estão no lugar certo e no papel ideal, edição ágil que hipnotiza ainda mais o telespectador, além de um clima real onde não existem heróis ou vilões, são as maiores qualidades desse seriado que faz sucesso por onde passa. Se existe, talvez, um item que poderia ser melhorado é a trilha sonora. Mas, é uma questão de escolha e de estilo. Se em Lost a trilha faz parte do ritmo de cada episódio isso não ocorre em Prison Break que prefere dar atenção às imagens e ao som ao vivo da prisão.


A Trama - Michael Scofield é um homem desesperado numa situação extrema. Seu irmão, Lincoln Burrows, está no corredor da morte e será executado, após ser condenado por um assassinato que Michael está convencido que Lincoln não cometeu. Sem opções e sem muito tempo, Michael assalta um banco para que ele seja preso e levado para a penitenciária estadual Fox River, o mesmo local onde seu irmão está cumprindo pena. Uma vez lá dentro, Michael (um engenheiro civil com as plantas da prisão e uma inteligência bem acima da média) começa a executar um elaborado plano para libertar Lincoln e provar a inocência dele.

Com a ajuda de seu companheiro de cela, Michael começa a se aliar a um grupo de diferentes prisioneiros. Fora da cadeia, ele tem apenas uma aliada, sua advogada e amiga de longa data.
Se você leu o livro Carandiru, sucesso nacional na década passada, e acha que conhece o sistema carcerário, é porque não viu Prison Break. Você não irá se arrepender.

quinta-feira, 28 de junho de 2012

Algo precisa ser mudado


As eleições dos últimos anos mostram um horizonte nada animador. Os jovens tem se alienado quando o assunto é política. A falta de incentivo, o voto facultativo, os escandâlos ou mesmo a insuficiência de atrativos afastam cada vez mais essa faixa da população dos assuntos relacionados com esse tema. Mudar é preciso. E mudar para melhor.

O Brasil vive de uma política de velhos costumes. Costumes nem sempre apropriados aos governantes do país. Uma ampla renovação política é crucial para que no futuro ocorram mudanças capazes de transformar uma sociedade carente de esperança. A corrupção, o nepotismo, fraudes e afins tem tomado conta do cenário político brasileiro e sempre praticados pelos mesmos senhores eleitos pelo povo. Ou seja, a solução não está em deixar como está. O novo sempre é bom, ainda mais se feito com empenho.


O grande problema é que o jovem perdeu a vontade de participar. Talvez porque pense que não pode mudar nada ou que isso não é importante. Mas pelo contrário, eles são a única chance de que algo mude. As mesmas pessoas de sempre, inundadas em ideias corruptivas e preocupadas consigo mesmos, é que não tem a capacidade de mudar. Os jovens entre 16 e 24 anos representam um número de mais de 5 milhões de eleitores. Mas enquanto candidatos, o número não tem expressão nenhuma. Praticamente não existem candidatos nessa faixa etária. A tabela abaixo demonstra uma pesquisa realizada em 2011. Ela exprime exatamente o pensamento dos jovens quando o assunto é política.


 

As opiniões quanto à participação do jovem ativamente na política divergem, mas confluem para um sentimento de indignação e impaciência. Os jovens acham que não são importantes para a política, porque na verdade não se interessam por ela. Questão estranha, não? As pessoas não se acham importantes porque não participam. O ponto é esse. Mudar para serem importantes. A partir do momento que se entende o papel essencial que é desempenhado, seja através do voto ou da colocação do nome à disposição, as coisas começam a mudar. Começamos a nos colocar como parte do processo, o interesse aumenta, a participação aumenta e tudo se transforma.

Pode até ser que a maior participação de adolescentes e jovens na política pouco altere o patamar atual. Mas a tentativa parece válida. Eleições após eleição são colocadas as mesmas pessoas no poder e a situação só piora. Mudar é preciso. E mudar para melhor. E pensando bem isso não é muito difícil. Se um dos nossos grandes administradores consegue ver que pior que está não fica, podemos ter a certeza de que algo está errado, com nós e com nosso sistema.

quinta-feira, 21 de junho de 2012

Quero ser vassala



Gire levemente a chave. Pressione a embreagem. Direcione a alavanca ao seu lado para cima. Isso. Preparado? Cinco, quatro, três, dois, um: agora acelera. Eduque seus pés, este é o segredo. A liberdade está em seus pés.

Essa foi a sensação que tive, quando, pela primeira vez, pude assentar minhas nádegas na poltrona do motorista e protagonizar o comando da máquina de quatro rodas. Mas, não me deixaram ir direto à Saveiro. Tive que primeiro fazer um teste: maldita carreta agrícola. Conquistei o primeiro lugar entre três candidatas à vaga: eu, o barranco e a estrada de chão. Mas passei e parti rumo a um veículo de carne e osso. Dei uma volta de 500 metros. Foi o suficiente para Deus existir em minha vida. Êxtase!Sonho! Desde pequena sou apaixonada por carros, mas ninguém em 19 anos de vida se arriscou a dividir comigo a magia de se dirigir um automóvel.
Mas minha alegria durou pouco. Gostaria de ter continuado dirigindo, mas tudo acabou! Frustrei-me um pouco pela demora em repetir a atividade. Então, um Corsel, escancaradamente aos pedaços, passou na minha rua. Depois, um cidadão, ao passar perto de onde estava me fez rir, por estar exageradamente próximo ao volante, concentrado na metodologia da direção. Concluí: dirigir é um ato mecanicista, onde o homem se subjuga à máquina para se locomover. É um crime contra a liberdade humana. Depois que se familiariza com o veículo transforma-se em verdadeiro escravo; não pensa; apenas guia uma estrutura mecânica.

Bom, depois dessa concepção frustrante, sabem onde desembarquei? Em uma viagem histórica e científica. Imaginem: através de uma crítica a uma invenção, fiz, paradoxalmente, outra descoberta. Diagnostiquei: a ideia da criação dos carros só pode ter surgido na Idade Média, o mais longo período histórico de nossa civilização. Afinal, nesse período havia uma ordem predominante que avassalava a população. A Igreja e os pensamentos religiosos dominavam a cultura local. A vida estava restrita aos procedimentos pré-ensaiados pelas ordens religiosas. Educação, política e sociedade estavam intrincadas e se guiavam pelas placas de comportamento estabelecidas por essa ordem. Uma viagem por um caminho desconhecido onde não se sabia ao certo qual BR seguir. Só se sabia de acordo com o instrutor Santo Augustinho, que o fim da viagem era o céu, e perseguia-se a ideia que esse fim estava muito próximo. Concepções evidentes no filme O nome da Rosa, adaptado do romance com o mesmo título, de Umberto Eco. Confira o trailer:


A ideia da subjugação vem da Idade Média. Desta forma, a ideia do carro também. Bem, para investigar melhor, fui pedir ajuda. Dá um help aí Dr. Google...Bingo: descobri que foi na Idade Média que surgiu a primeira roda com aros. Não me enganei: nesse período surgia sim, tanto a lógica ideológica do dirigir, quanto à lógica do aspecto físico do conjunto da obra.

Bom, agora eu vou fazer uma outra viagem. Só pelo fato de lá ter surgido o princípio da minha felicidade, já gostei. Virei fã número 1 da baixa, da alta e de qualquer estatura da Idade Média. Fico imaginando como seria minha vida se eu vivesse lá. Pra começar eu gostaria de pertencer ao clero, classe dominante que detinham a maior parte das propriedades de terras. Não gostaria nada de ficar doente, porque não tinha médico e acreditava-se que isso era uma consequência de um pecado. Minha vida econômica não será muito diferente que é a de hoje, a base de subsistência. Minha rotina iria ser uma aventura diária, afinal, viveria escambiando para me alimentar e viveria fugindo das guerras e das invasões. O pior inimigo da minha sociedade seriam os bárbaros e não a inflação ou o governo Bush. É verdade que eu não teria muita liberdade de criação de literatura, nem de uma crônica como essa. Na verdade não teria liberdade para nada. Mas as vezes a falta de liberdade nos transporta para outras ruas, cidades, estados sem gastarmos a sola dos nossos sapatos, basta ter simplesmente gasolina.

Agora eu entendo os medievais. Eles eram felizes. Como também serei eu sendo vassala. Navegando entre o inferno e o paraíso, eu andarei, andarei e atropelarei qualquer cruzada que se atravessar na minha história e destruir meu sistema. Faz parte ser escrava. E é maravilhosa a ilusão: o vento no meu rosto afirma que sou livre, mas meus pés, minhas mãos, minha postura, gritam que não. Mas dirigir será minha válvula de escape, a minha, não do meu carro, ok? Encerro essa crônica com uma promessa. Ressuscitarei Dante Alighieri, em  Divina Comédia, dizendo, na próxima vez que tiver a oportunidade de dirigir “Deixai toda a esperança, ó vós que entrais”.   

terça-feira, 19 de junho de 2012

Eu indico: O livro de Eli



Faz tempo, aliás um bom tempo, que não assisto a um filme deste quilate. Sabe aquela sensação ao final, que te faz revisar novamente a história do começo ao fim para ligar os pontos? Assim que descrevo “O Livro de Eli”.
O filme tem todos os pré-requisitos para se tornar épico, resta saber se o público irá torná-lo um, pois por melhor que seja e por mais potencial que exista, é o público que manda. Pois bem, vamos à história.
Estamos num futuro pós-apocalíptico onde a Terra fora devastada e restam poucos por aí para contar história. Ok, até aí existem dúzias de filmes com esse enredo, de Mad Max a Matrix. E o que torna o Livro de Eli diferente? Várias coisas.
Primeiro temos Denzel Washington. Competente como sempre, é um dos poucos atores que faz da coreografia da luta, uma dança sem parecer circense. Poderia ser um Batman Ano Um se lutasse às sombras e tivesse um cinto de utilidades e mascara com orelhas pontudas.
O bom e velho Denzel, no papel de Eli, está perambulando há 30 invernos, vendo dia após dia desolação e anarquia. O cenário por onde passa mostra a devastação possivelmente causada por uma guerra. Não existem meios de comunicação, locomoção precária, canibalismos e água potável vale ouro. Aliás, não existe moeda. Voltamos ao tempo do escambo, e para conseguir algo, só na base da troca. Qualquer coisa pode ter seu valor.
Porém ao encontrar um vilarejo ao melhor estilo “velho oeste”, Eli descobre algo que possui algo muito valioso: um livro. Pausa para breve análise: poucas pessoas sabem ler neste futuro, afinal são 30 anos pós-devastação e já existe uma geração rodando por aí. Portanto para aqueles que sobreviveram ao holocausto e continuam vivos após este tempo todo, a leitura é algo poderoso.
Na vila “faroeste bandido” encontrou os elementos principais do western: terra de ninguém, um bando de brigões, um boteco sujo e alguém que faça sua própria lei, no caso, Carnegie (Gary “Com. Gordon” Oldman). O chefão do pedaço está em busca de algo muito valioso e que dará muito poder ao seu detentor: um livro.
Daí é só juntar 2+2 pare entender o que vem a seguir, correto? Não. O livro que Eli carrega não é um simples exemplar de Readers Digest. É algo muito mais poderoso. Ele traz consigo a última edição da Bíblia Sagrada.
Este é ponto que faz a maior diferença dentre qualquer outro filme do gênero. A história não se preocupa em contar o que se passou até ali. O importante é como será o futuro. Você se encarrega de presumir o resto.
Tratar a Bíblia Sagrada como objeto de poder pode não ser o melhor foco, mas sim o uso de sua palavra. Existem os críticos radicais que podem apontar como influenciador ou tendencioso, mas o certo é que se trocarmos por outra escritura sagrada importante, como o Alcorão, o efeito é o mesmo.
Dentre as várias referências históricas que são possíveis de se detectar, uma delas me chamou a atenção. A Bíblia foi o primeiro livro impresso por Gutemberg. Sabendo disso, preste atenção ao final do filme.
Eu indico.

quinta-feira, 31 de maio de 2012

Sustentabilidade do planeta: uma missão individual



Estamos há, praticamente, dois meses da do evento de repercussão e participação internacional que discutirá políticas públicas referentes à melhor e a real sustentabilidade de nosso planeta. Estou falando da Rio+20, Conferência internacional sediada em julho próximo, no Brasil. Muitas discussões acerca da economia verde, da mercantilização da natureza, do novo código florestal brasileiro, da conservação das APP’s (áreas de preservação permanentes) e tantas outras abordagens globais que permitem um evento dessa magnitude estarão em pauta. Interesses políticos, partidários e de diversos segmentos estarão em jogo.

Mas, daí questiono: Para além do que o governo federal ou que a economia mundial exige de postura favorável ao meio ambiente, será que não poderíamos, enquanto cidadãos fazer a nossa parte sem que ninguém exija isso através de leis e decretos? É tão difícil separar o lixo, realizar a compostagem das cascas de frutas e dejetos úmidos e entregar os papéis e os artigos recicláveis à uma ONG que realiza este trabalho? É complicado usar ecobags e diminuir o consumo de sacolas plásticas?

São atitudes de extrema simplicidade e facilidade que, em conjunto, projetam a diferença. Alguns meios de comunicação do estado do Rio Grande do Sul estão investindo em programações que indicam soluções singelas e que surtem efeitos se postas em prática. Um exemplo é o jornal Zero Hora, que mantém semanalmente o caderno “Nosso Mundo Sustentável”, que contempla complemento online “Por dentro do nosso mundosustentável”.

Em âmbito mais local, a Unijuí FM conserva semanalmente o programa “Ambiente Vivo” e o programete diário “Ações sustentáveis”, os dois no intuito de divulgar ações em prol da preservação ecológica, e também com a intenção de propor mudanças em algumas atitudes comuns e corriqueiras no dia a dia.

Enfim, a preocupação para com meio ambiente e sua sustentabilidade, é tarefa de todos, e de cada um como cidadão. Precisamos rever nossos conceitos e percepções no sentido de estar sempre esperando alguma política pública definir o que é melhor e mais saudável para nós.




terça-feira, 29 de maio de 2012

A lei que chega, chegando


Uma invenção política homologada recentemente promete o início da cura da epidemia mais devastadora da esfera social, a corrupção. A vacina contra essa patologia da esfera pública do país estará disponível a partir da próxima quarta-feira. O nome da fórmula?A Lei do Acesso à Informação. O código, 12.527/2012. Reações adversas? As substâncias e diretrizes que compõe a formulação podem levar à transparência as ações ministradas no âmbito federal, estadual e municipal da administração pública. Mas, afinal, quais foram os procedimentos que resultaram na composição desse remédio legal para as contas públicas e quais as substâncias que constituem a matéria-prima dessa invenção em prol da cidadania?

Metáforas à parte, a homologação da Lei do Acesso à Informação Pública é um avanço para a estrutura democrática da sociedade brasileira. A iniciativa constitucional promove o acesso de qualquer cidadão a documentos públicos, regulamentando a exposição das informações produzidas desde o poder Executivo até o poder Legislativo. Como primeira iniciativa, a lei já insere prazos. Dentro de no máximo seis meses, cada órgão terá que publicar em sua página na internet informações completas sobre sua atuação, contratos, licitações, gastos com obras, repasses ou transferências de recursos. O que em ano eleitoral pode acarretar reflexos positivos ou negativos para as candidaturas, dependendo é claro do ponto de vista. Um candidato que não possui seus documentos em dia irá acabar sucumbindo e entregando sua desonestidade aos olhos da liberdade de informação.

Os documentos que serão disponibilizados para a população devem seguir uma regra básica: devem estar escritos de forma clara a partir de uma linguagem simples e direta com apoio de ferramentas de busca e pesquisa. Com essa iniciativa os órgãos do governo esperam aprimorar a qualidade dos gastos públicos, além de fortalecer os laços da democracia e da cidadania em um país ainda prematuro nessa cultura da transparência. Para a execução da lei vai ser fundamental o uso das tecnologias, essencialmente de ferramentas como a internet e outros recursos digitais.
Mas não é somente através de suplementos superficiais que o medicamento terá efeitos positivos sobre a saúde política brasileira. A lei vai mais a fundo. Em uma de suas premissas vigora que as violações aos direitos humanos não podem permanecer eternamente em sigilo. O prazo máximo para a publicação de documentos ultrassecretos é de 25 anos. O tempo até que é generoso demais, contudo, ao menos nesse contexto ressurge a esperança de ressuscitar e punir crimes adormecidos na história, repressões políticas que morreram entre os anos 70 e 80 do século passado. Para o Assessor Regional de Informação e Comunicação da Unesco, para o Cone Sul, Guilherme Canela, a abrangência da LAI atinge fatos históricos fundamentais para o conhecimento da população, “Uma das dimensões particulares da lei é garantir o direito à memória e à verdade. O cidadão tem o direito de saber o que ocorreu no passado, obtendo informações sobre guerras, decisões diplomáticas ou regimes de exceção. O direito à verdade e à memória é fundamental para que a democracia possa se fortalecer e consolidar”.
Quando se menciona administração pública vem logo à mente, o Palácio do Planalto, o Piratini ou a Prefeitura do município. Segmentos à margem dessa política direta são deixados de lado. Mas, nesse caso, eles estão sendo os primeiros a assumir providências. É o caso do Ministério da Defesa. O grupo está a postos marchando rumo à adaptação imediata a nova lei. Desde a aprovação da mesma foram criados grupos de trabalho para conscientizar os funcionários da importância da transparência. Entre as medidas que serão aplicadas é que cada unidade das Forças Armadas no território nacional reserve um espaço para atender às solicitações dos cidadãos por informações.
Apesar dos vários fatores que especificam a Lei do Acesso à Informação de maneira funcional, essa legislação deve ser encarada de forma mais ampla e cognitiva. Mais do que fornecer e solidificar a democracia no Brasil a Lei trás a oportunidade de mudança cultural dos ideais políticos e sociais. Na Inglaterra, por exemplo, os cidadãos já fizeram uso de leis semelhantes para saber quais eram os hospitais com maior índice de mortes por problemas cardíacos. No Chile, para saber quais regiões do país tinham melhor cobertura de celular. Na Índia, para combater a corrupção. Dessa forma, “É importante ter em mente que a nova legislação muda a cultura da administração pública como um todo”, lembra Izabela Correia, coordenadora de Promoção da Ética, Transparência e Integridade da Controladoria-Geral da União (CGU).
Por outro lado os céticos ainda temem pela deficiente execução da lei. Um dos motivos consiste na demora na edição do decreto 12.527/2012, um fato que pode trazer o descrédito para a regulamentação e trazer dúvidas e confusão no momento de adoção da mesma. Na verdade, a sanção da lei ocorreu no ano passado, a cerca de seis meses, mas somente, agora foi homologada pela presidenta Dilma Rousseff. Há dúvidas, também, em relação à identificação do cidadão na hora do registro do pedido. A lei fala apenas em “identificação do requerente”, mas não se sabe ao certo se a pessoa terá que apresentar ou não documento e, caso sim, qual. E além do mais, a própria elaboração do pedido ainda não está totalmente equacionada, já que não há um site em que o cidadão possa fazê-lo. Até lá, as pessoas terão de encontrar e-mails, telefone ou endereço dos órgãos. Neste último caso, é preciso comparecer ao chamado Serviço de Informação ao Cidadão (SIC) e fazer a pergunta no balcão.
Apesar dessas lacunas é inquestionável a importância da aplicação da Lei de Acesso à Informação. O decreto representa metaforicamente a abertura da caixa-preta do sistema público brasileiro, além de alimentar e efetivar o direito fundamental de acesso à informação garantido pelo artigo 5º da Constituição Federal. Todos os órgãos governamentais terão que se vacinar. Será o prenúncio do tratamento da enfermidade que assola o território brasileiro desde os tempos do Império? Um prognóstico de cura emerge a partir do dia 16 de maio. Talvez um milagre aconteça e o sistema público saia do coma induzido pelos aparelhos da máquina da corrupção. 

quarta-feira, 23 de maio de 2012

Homem não entra: o novo feminismo

Antigamente as mulheres eram muito mais unidas, é verdade. Hoje em dia tem muita mulher mais machista do que os próprios homens... Mas a maioria nem se importa com a igualdade entre os sexos “elas não pensam, vão lá e fazem!”, afirma Patrícia Schlindwen. E eu concordo!
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Vamos começar com alguns fatos: as mulheres passaram décadas exercendo funções que se resumiam ao âmbito do lar, as maiores preocupações eram o cardápio do jantar e trocar as fraldas dos pequenos. Hoje em dia, podemos ver o nosso horizonte social e profissional sem uma abrangência limitada, muitas vezes até tomando lugares que seriam deles, por exemplo, as mulheres são a maioria nas universidades! Podemos fazer qualquer coisa, exercer qualquer função na sociedade. Somos mães, esposas, profissionais de sucesso, políticas respeitadas, modelos, motoristas, surfistas, qualquer coisa que quisermos ser e acima de tudo podemos ser mulheres! 

E além de tudo isso, vivemos mais! Sim, a expectativa de vida dos homens é menor, seja por doenças nas quais eles são mais suscetíveis (problemas de coração, por exemplo), por se exporem mais a situações de risco (violência, acidentes de trânsito, trabalhos perigosos etc.). E isso não acontece apenas com os humanos, em várias espécies de animais os machos morrem mais cedo também. 

Admito que nós mulheres temos uma vida social, principalmente na adolescência, muito mais fácil do que para a maioria dos homens. Não precisamos provar a nossa virilidade-masculinidade diante dos amigos. O sucesso, digamos, reprodutivo do homem nem sempre é garantido, enquanto para a mulher (se quiser e for saudável) basta não ser tão seletiva quanto à escolha... Enquanto os homens precisam pensar em mil e uma cantadas e maneiras de atrair e conquistar a sua amada. Apesar de que os papéis algumas vezes se invertem, mas isso é assunto para outro momento... O que importa agora é que nós temos o poder de escolha!
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A mulherada desempenha os mesmos papéis dos homens e até mandam neles (menos em casa… Em casa, a última palavra é sempre do homem: Sim, senhora!). Da imagem da perfeita dona de casa à da mulher segura de si. Ser feminista não significa abandonar a família, ser uma executiva workaholic, é possível desempenhar o papel de boa mãe e profissional de sucesso. Nem sempre o que a mulher deseja mesmo é ser igual! Nós só queremos respeito, mostrar que também somos capazes de fazer o que bem entendermos e isso já está mais do que provado e documentado! Amélia é que era mulher de verdade, será?! Claro que sim, todas somos! 

Para a Assistente Social, Elisa Weyrich: “Cada vez mais se tem investido em políticas para as mulheres, pois são elas que participam, os homens nunca colaboram ou participam dos programas, é muito difícil convencê-los. Para nós que trabalhamos na area da Assistencia Social, as mulheres é que são o nosso contato com a família, é no nome da mulher que fica o Bolsa Família, por exemplo... Ainda existe bastante submissão, principalmente por questões culturais e pelo medo da violência. Percebo que as que mandam no lar, na maioria das vezes, tem um maior grau de estudo”. 

Patrícia Schlindwein, 22 anos, administra o marido, 2 filhos e 2 empregos, garante que “As mulheres atingiram um nível que nem se importam mais com isso, elas simplesmente vão lá e fazem. No Sicredi de Chiapetta, por exemplo, tem apenas 2 homens no meio de 10 mulheres, é 16% homens e 84% mulheres em uma proporção. Sem contar que as mulheres são mais dedicadas, detalhistas, temos mais facilidade em fazer mais de uma coisa ao mesmo tempo, ainda desempenhamos papel de mãe, dona de casa, esposa. Lá em casa eu sou a chefe da família, meu marido sabe disso, eu decido o destino do dinheiro, o que vamos comprar, eu controlo a vida, a saúde, as roupas, afazeres domésticos, pago as contas, administro a empresa da família, trabalho fora, e ainda amamento, brinco e cuido mais dos meus filhos do que o meu marido. É sempre a minha opinião que prevalece pra tudo. Vi uma reportagem sobre mulheres trabalhando como pedreiras, e a diferença é notável, as obras administradas por mulheres são limpas, elas cuidam mais dos detalhes e arremates, nos acabamentos... os homens fazem uma anarquia, não limpam, não se preocupam com os detalhes.”
dominar-o-mundo
Eu já escolhi a roupa, e vocês? Hehehehe 

Brincadeiras a parte, quando as pessoas aprenderem a se olhar como seres humanos, sem essa irrelevante distinção de sexos, caracterizando-se apenas pelo que elas são, o mundo será um lugar melhor! Discurso ideológico, aborto, homofobia, divisão sexual do trabalho, violência doméstica, entre outras temáticas, são temas muito mais do que feministas, são temas humanos!

segunda-feira, 14 de maio de 2012

Resíduos Sólidos: Meta para 2014

Subcomissão de Deputados está visitando vários municípios do Rio Grande do Sul, as visitas visam os Planos Municipais de Resíduos Sólidos e tem como meta discutir e avaliar a situação dos municípios do estado.


A Lei Federal nº 12.305/2010, instituiu a Política Nacional de Resíduos Sólidos. O objetivo é que, deixa de ser voluntária e passa a ser obrigatória a não geração, redução, reutilização, reciclagem, tratamento dos resíduos sólidos e disposição final ambientalmente adequada dos rejeitos. Estabelece a diferença entre resíduo e rejeito, onde, resíduos é o que deve ser reaproveitado e reciclados, e apenas os rejeitos devem ter disposição final ambientalmente adequada.
A Lei é considerada uma conquista da sociedade, os gestores municipais devem, formular e executar políticas públicas que busquem a eliminação completa dos lixões, a implantação da coleta seletiva e programas de educação ambiental, um aproveitamento energético de gases e a reduzir a quantidade de resíduos.
A legislação exige que os municípios brasileiros criem até agosto de 2012 seus Planos Municipais de Gestão Integrada de Resíduos Sólidos, onde deverá apontar ações relativas ao tratamento a ser dado aos resíduos sólidos dentro de seu território, como, a geração, segregação, acondicionamento, coleta convencional seletiva, transporte, tratamento, disposição final ambientalmente adequada e proteção ao meio ambiente e a saúde pública.
Somente 25% dos municípios brasileiros dão destinação adequada aos seus resíduos. Até agosto de 2012 deverá ser apresentado o Plano Municipal de Resíduos Sólidos e agosto de 2014 terão de ser erradicados lixões e feita a disposição ambientalmente adequada para resíduos sólidos.


Leonardo Allegretti - É uma iniciativa válida e que se faz totalmente necessária hoje em dia, aumenta a qualidade de vida e principalmente a quantidade de vida (salva ambientes onde geralmente há deposição de lixo, salva ecossistemas e habitats). É uma ação que deveria ser comum a todos, e posta em prática o quanto antes, já que o beneficio se da a longo prazo, mas vale qualquer sacrifício.

Alan Santos - Para haver auto sustentabilidade e a não poluição de rios, solo, cultivo do meio ambiente, precisa-se cuidar do lixo e não apenas atirar em qualquer canto como faz mais de 70% dos municípios do brasil. Pensando nisso o governo federal instituiu lei que o gestor municipal fica obrigado a alterar sua lei orgânica e prever a reciclagem de resíduos sólidos, o que é uma conquista, só falta estrutura. É quase impossível cumprir isso até agosto, pois, além disso existe o tal do jeitinho brasileiro, onde tudo fica para depois, para última hora, talvez até a copa podemos ter mais de 50% dos municípios adequados a essa lei.



O que são Resíduos Sólidos?

Constituem aquilo que genericamente se chama lixo: materiais sólidos considerados sem utilidade, supérfluos ou perigosos, gerados pela atividade humana e que devem ser descartados ou eliminados. 

segunda-feira, 30 de abril de 2012

Os “parênteses” que envolvem um aborto


A interrupção da gestação em casos de estupro ou claro risco à vida da mulher, já era permitida, e no dia 12 de abril, o Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu que não é mais crime o aborto de fetos anencéfalos (com má-formação do cérebro e do córtex). Todas as demais formas de aborto continuam sendo crime, com punição prevista no Código Penal.
A antecipação do parto de um feto anencéfalo passa a ser voluntária e, caso a gestante manifeste o interesse em não prosseguir com a gestação, poderá solicitar serviço gratuito do Sistema Único de Saúde (SUS), sem necessidade de autorização judicial. Os profissionais de saúde também não estão sujeitos a processo por executar a prática.

Para os demais tipos de aborto, a legislação brasileira estabelece pena de um a três anos de reclusão para a grávida que se submeter ao procedimento. Para o profissional de saúde que realizar a prática, ainda que com o consentimento da gestante, a pena é de um a quatro anos.

Segundo o relator do processo no STF, ministro Marco Aurélio Mello, já foi concedido três mil autorizações judiciais no País, para interrupção da gravidez de feto anencéfalo. A cada mil recém-nascidos no Brasil, um é diagnosticado com a má-formação cerebral. Esse índice deixa o Brasil em quarto lugar no mundo com mais casos de fetos anencéfalos, atrás de Chile, México e Paraguai.

A anencefalia é definida na literatura médica como a má-formação do cérebro e do córtex do bebê, havendo apenas um "resíduo" do tronco encefálico. De acordo com a Confederação Nacional dos Trabalhadores na Saúde (CNTS), a doença provoca a morte de 65% dos bebês ainda dentro do útero materno e, nos casos de nascimento, sobrevida de algumas horas ou, no máximo, dias.

O ministro Marco Aurélio Mello, que votou pela descriminalização do aborto, declarou que "Cabe à mulher, e não ao Estado, sopesar valores e sentimentos de ordem estritamente privada, para deliberar pela interrupção, ou não, da gravidez (de anencéfalos)". Veja o depoimento de algumas mulheres sobre o assunto e também sobre a decisão:

Jandira Queiroz - “Parabéns aos ministros do STF a favor da laicidade do Estado e contra o sofrimento desnecessário das mulheres”.











Magaly Pazello - “Como bem observaram os ministros e ministras do STF, é necessário não apenas reconhecer a verdadeira via crucis que as mulheres enfrentam quando se vêem gestando um feto anencéfalo, mas também compreender a tragédia que isso pode significar na vida dessas mulheres. A negação de seu sofrimento e a imposição da gravidez compulsória representam, de fato, um regime de tortura imposto pelo Estado e isso é inadmissível. Os votos proferidos ontem revelam a complexidade do tema, mas também o atraso em que o Brasil se encontra na garantia dos direitos humanos das mulheres no tocante à sua autonomia reprodutiva. Por isso, é necessário corrigir essa situação devolvendo às mulheres a devida segurança jurídica para que possam decidir, elas mesmas, conforme suas convicções e crenças. Parabéns ao CNTS [Conselho Nacional dos Trabalhadores em Saúde] e ao Anis [Instituto de Bioética, Direitos Humanos e Gênero] por sustentarem essa ação até aqui!”.

Fátima Oliveira - “Do meu ponto de vista, da janela de onde espio e assunto o mundo, uma sociedade democrática deve aprender a referendar a alteridade como um valor. Os votos do STF a favor da antecipação terapêutica do parto em casos de anencefalia colocam em cena dois temas valiosos para quem ama a liberdade: a ampliação da democracia e a consolidação do Estado laico. Eles nos mostram o caminho do aprendizado do respeito ao direito de decidir das mulheres quando não desejam levar adiante uma gravidez de feto inviável, ao mesmo tempo em que também não faz juízo de valor sobre as mulheres que, por questões de fórum íntimo, pensam de modo diferente”.

segunda-feira, 16 de abril de 2012

Trânsito: o caos ainda está por vir


Questões relacionadas ao trânsito sempre merecem atenção quantos as discussões, sejam elas favoráveis ou contra. Nesse espaço quero chamar atenção de todos para os eventos que irão acontecer na próxima terça-feira, dia 17 de abril, a partir das 8 horas da manhã, no salão de Atos da Unijuí, que é o 5º Seminário Municipal de Trânsito, o 2º Seminário Regional de Prevenção de Acidentes e o 28º Encontro do Movimento Gaúcho pelo Trânsito Seguro (MGTS).

E é por esse motivo que vou comentar quanto ao trânsito na cidade de Ijuí. Fala-se muito que Ijuí é referência estadual e até em nível nacional, que aqui se respeita muito as leis do trânsito. Para os pedestres, tudo indica que sim. Mas, para quem conduz o veículo, ainda existem muitas questões que devem ser esclarecidas, ou analisadas.
Muitos motoristas até respeitam as sinalizações. Mas a grande maioria ainda deve ser orientada e procurar respeitar o espaço que é divido com o outro. É constatado seguidamente em espaços destinados para idosos e aos deficientes físicos, que muitos aproveitam da situação que - é o local vago, para ocupar o espaço para estes cidadãos. É falta de respeito. E além do mais, falta bom senso.
As vagas destinadas estão decretadas em lei. O direito é deles. Fica a pergunta. Talvez isso ocorra devido ao corre-corre do dia-a-dia? Para se ter uma ideia, de 2011 para cá, é percebido o grande volume de veículos que trafegam pelas ruas de Ijuí. Nota-se que as ruas centrais ficam congestionadas em dias que antecedem a feriados e também nos finais de semana.
A tendência é que esse número venha a aumentar nos próximos cinco, dez anos, nem isso. Segundo informações obtidas junto a Coordenadoria de Trânsito (CT) de Ijuí, já estão circulando pelas vias públicas, mais de 44 mil veículos.
Por outro lado, vale ressaltar que a CT também adquiriu um novo parquímetro. O novo equipamento possibilitará a ampliação do estacionamento rotativo, com 30 vagas, que será instalado na Rua José Bonifácio.
É nesse ponto que quero chegar. É importante que a CT trabalhe no sentido de criar novas possibilidades de estacionamento. Também é necessário ser mais rigoroso quanto à fiscalização no trânsito. Sabe-se que a CT conta com pouquíssimos agentes. O alerta é que as equipes de agentes sejam aumentadas e que atuem mais descentralizadas.
Em horários de grande “pico”, são flagrados inúmeros congestionamentos. Congestionamentos em rótulas e semáforos são frequentes em horários como: ao meio dia e aos fins de tarde. Qual é a solução para isso? Há de se pensar não só hoje, mas sim, amanhã. Os nossos filhos vão crescer e com eles o stress do trânsito. Isto que a cidade é de médio porte.
Motoristas: esta é a hora. Participem dos eventos. As temáticas serão: mobilidade urbana, meios de transporte alternativos, transporte de carga, sinalização e prevenção de acidentes na construção civil, sinalização de obras, educação para o trânsito e a participação da indústria, do comércio e dos prestadores de serviço na organização da cidade.


sábado, 7 de abril de 2012

Eu não sou da geração Y!

Será que a cultura que educa uma geração realmente é eficaz? Educação e formação pessoal são fatores muito relativos. Adapta-se conceitos, metodologias, formas de comunicação e lazer em prol do pensamento de que aquele grupo de pessoas possuem características semelhantes. Fala-se muito em segmentação de mercado, mas nesse ponto, acredito que ocorre o contrário. Padroniza-se um discurso e uma linguagem direcionando-se a uma geração emoldurada pela cultura que rege sua história.

E quem fica à margem do processo histórico, vivendo em um contexto pessoal e social diferente da maioria das pessoas de sua geração? O sentimento de deslocamento quanto às outras pessoas de sua idade é evidente. O trabalho é redobrado para compreender o discurso que se dirigem para ti.

Eu sou um exemplo claro. Sem sombra de dúvida, utilizo as linguagens digitais, as redes sociais, mas sinceramente, não sou muito fã. Acredito que seja um entretenimento e um passatempo, e o hoje em dia é fundamental para o trabalho na Comunicação, quase que impensável não mergulhar no mundo das redes para exercer nosso trabalho como Jornalistas. Mas eu ainda não consigo me sentir dentro da cultura das tecnologias digitais. Cada geração possui a sua forma de garantir uma sociabilidade e de preencher alguns vazios existenciais que toda geração possui. Acredito que o ato da exposição na rede e a repercussão dessa exposição entre os amigos de perto e de longe deva garantir uma satisfação e uma sensação de prazer inquestionável. Até porque a vida que é narrada nesses redes  é uma vida perfeita, de conto de fadas, mas será mesmo assim na vida real? É claro que não. Ninguém vai querer compartilhar com os outros uma momento de decepção, por exemplo. Mas comigo isso não acontece, como não aconteceria com minha avó ou meus pais, será mesmo, estou perdida?!

Querem saber? Acho esse meu jeito bem interessante. Não me julgo, nem me sinto a “menina das cavernas”, embora às vezes eu seja. Me sinto um máximo cada vez que aprendo uma ferramenta nova dessa tal de tecnologia digital. Vou me virando como posso. E quando não posso dou um grito, em casa, na sala de aula ou lá no face mesmo...Lya Luft escreveu em algum de seus livros que somos ao mesmo tempo “inocentes e responsáveis por nossas escolhas”. Tomara  que ela esteja certa. Porque deposito a culpa dessa minha “obsoletisse” ao fato de ter tido acesso frequente à internet e ao computador apenas no início da faculdade e por conviver com pessoas que acreditam ter um site só seu sem nunca ter acessado a rede: meu pai teima comigo que ele tem um endereço que a Vivo tinha feito para ele-www.jorge.com.br!! E nem adianta tentar explicar.

Me considero fora da geração Y, mas não me sinto totalmente mal por isso. Devo estar em alguma geração, talvez a Z, X... só espero que não esteja tão perto do início do alfabeto! Talvez algum dia por aí, me rendo. Talvez até curta esse universo simbólico das redes de comunicação virtuais. Talvez até entenda qual o grande significado de clicar curtir, gosto, comentar... Ou talvez, ao estudar de forma mais aprofundada a Teoria Crítica fique mais avessa ainda!! Sei lá. O que importa mesmo é que a gente se sinta completa e satisfeita, com ou sem as redes para nos ligar a esse sentimento.

segunda-feira, 2 de abril de 2012

Ágora da Preguiça

Quem, como eu, há alguns anos atrás, parou para pensar sobre os caminhos por onde humanidade poderia levar a internet (ou seria o contrário?), certamente chegou a vislumbrar, mesmo que por um vago momento, um espaço democrático e fértil para o debate de ideias. Entusiastas como eu, imaginaram que se abria, ali, um espaço de riqueza informacional, onde aqueles que tivessem interesse poderiam expor suas opiniões, debatê-las e enriquecê-las. Hoje vejo que meu entusiasmo pode me levar à frustração.
Há cerca de 10 anos víamos uma série de ferramentas em experimentação, e uma meia dúzia (meia dúzia de milhões) de interessados em seu funcionamento. Os desenvolvedores de software apresentavam propostas de programas e nem imaginavam até onde o usuário poderia chegar em sua utilização. Talvez, por essa ter captado exatamente esta nuance, é que as coisas tomaram o rumo atual.
“Maldita inclusão digital”. Esta frase é repetida com frequência pelos saudosistas da rede em uma fase em que ela era privilégio de poucos. E eu sempre discordei. Por questões sociais, e por que em meu vislumbre utópico, para que a rede fosse útil, ela deveria ser inclusiva. Mas hoje eu vejo a frustração me saltar aos olhos todos os dias.
O Facebook é popular, um fenômeno, o maior que o mundo já viveu, em massa, na rede. O Brasil relutou em aderir, demorou a abandonar o Orkut, mas hoje estamos lá. Quem pode estar no Facebook, está.  Aqui vale uma comparação entre as duas ferramentas. No Orkut, se você quisesse ter acesso a uma discussão, você deveria procurar por ela em uma comunidade relacionada ao seu tema de interesse. No Facebook, os debates estão na sua página inicial. Temos opiniões das mais diversas. Meio-ambiente, sexualidade, direito à vida, política, pirataria... Ótimo. É nossa ágora moderna. Sem sair do conforto do lar, está tudo ali.
Errado.
As traduções de ágora preveem tanto praça como mercado. Na Grécia antiga, essa distinção certamente não tinha a mesma importância que tem hoje no capitalismo moderno. O Facebook não se configura como um lugar onde você debate ideias, muda de opinião, e enriquece seu repertório. Mas, sim, um lugar onde você compra suas ideias de forma rápida e fácil. Pouca leitura, falar mais do que ouvir, abstrair sempre aquilo que mais se acomoda à sua personalidade completa e perfeita. Está tudo ali, e o melhor, você ganha correligionários automaticamente. Ótimo não?
O que você está esperando. Não sabe o que pensar sobre a copa? A fome? A guerra? O BBB? Está tudo aí, é só pegar!

Pintura de Péricles retratando uma ágora grega

domingo, 1 de abril de 2012

Guru da TV

Um livro escrito por alguém com a personalidade característica de José Bonifácio de Oliveira Sobrinho, o Boni, só poderia se batizado com o nome do seu próprio autor. No “Livro do Boni”, o diretor de TV, publicitário e empresário trata de sua história profissional na mídia brasileira com franqueza, expondo suas opiniões, decepções e felicidades conquistadas ao longo de sua carreira.
Amplamente conhecido pelo seu trabalho na Rede Globo, Boni vai muito além de suas realizações na referida emissora. Ao começar sua leitura, o leitor logo verá que a história do profissional na Globo não é exposta de cara, pois muita água rolou antes da ascensão da empresa de Roberto Marinho, como Boni faz questão de mostrar.

Sem dúvida uma das melhores coisas do livro do Boni é a forma que o autor deu à sua obra: talvez pela própria “formação televisiva” que teve, Boni dividiu seu livro em capítulos pequenos, assim como em televisão, onde tudo deve ser resumido, respeitando-se a regra de que cada segundo vale ouro.
Entretanto, quem quiser ler o livro desse profissional que tantos anos dedicou - e ainda dedica – à televisão brasileira, deve se comprometer com a leitura e, se possível, vir com pelo menos uma base sobre a história da TV no nosso País, pois, em seu livro, Boni faz inúmeras referências e cita muitos nomes de grandes pessoas que contribuíram para a comunicação brasileira.
Guia da história da TV no Brasil, o Livro do Boni pretende ser isso e nada mais, portanto, não espere encontrar referências pessoais do autor entre as páginas – isso pode acontecer, mas o foco será, do começo ao fim, direcionado às emissoras, atores, atrizes, produtores, diretores, programas e atrações que até hoje nos influenciam e marcaram várias gerações da nossa sociedade.